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sábado, 6 de noviembre de 2010

João Guimarães Rosa

O destaque na sua obra é o contínuo aprender a viver e a procura do sentido da existência, enquanto na sua linguagem se destaca a incrustação das línguas estrangeiras nos personagens cultos e o incentivo à musicalidade. A ele devemos a frase:
”As pessoas não morrem, ficam encantadas”
Pessoa culta e erudita não gostava do trabalho material.
Ele acreditava na força da lua, respeitava curandeiros, feiticeiros, a umbanda, a quimbanda e o kardecismo. Dizia que pessoas, casas e cidades possuíam fluidos positivos e negativos, que influíam nas emoções, nos sentimentos e na saúde de seres humanos e animais. Aconselhava os filhos a terem cautela e a fugirem de qualquer pessoa ou lugar que lhes causasse algum tipo de mal estar.
Politicamente era esquerdista

Famigerados

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias" (1988)
No livro, aborda as diferentes faces do gênero: a psicológica, a fantástica, a autobiográfica, a anedótica, a satírica, vazadas em diferentes tons: o cômico, o trágico, o patético, o lírico, o sarcástico, o erudito, o popular.




Famigerados
Neste conto se mistura o discurso direto e indireto, com frequência faz referência a provérbios ou partes deles, usa destaque na escritura (recursos gráficos), até esse momento não se conhecia, usa também português arcaico, utiliza diferentes linguagens para as personagens segundo sejam do interior ou da cidade e segundo a classe social, hierarquiza as pessoas, utiliza seus conhecimentos da medicina nos textos. Joga com as palavras fazendo novas, as transforma.
O texto é exemplar, tem forma e conteúdo.

A terceira margem do rio.

Li o conto como uma leitora desprevenida e tinha feito os seguintes comentários:
Personagens: Pai calado, filho narrador, mãe regia a casa e a família, irmã, irmão.
Sobre o conto: É uma metáfora do desenvolvimento da vida e sua travessia, ora violenta, ora calma.
O narrador é o filho do personagem desequilibrado que em uma canoa feita exclusiva para ele se afasta da vida sem coisa nenhuma e sem se despedir para continuar sua vida navegando pelo rio em solidão. O tempo passa até o menino vira homem de cabelo branco. No transcurso do tempo a irmã se casa e tem filho, vai embora e leva a sua mãe. O irmão vai embora, o único personagem que permanece nesse lugar é o menino (ninguém tem nome) que espera ver ao pai levando alimento e roupas ao lugar onde o pai irá buscar (cerimônia?). A única reposta do pai se da no final do conto, cabeludo com unhas crescidas volta embora o filho fuja e o encontro não da certo.
Qual é a terceira margem? A vida mesma.

Na análise da aula o conto virou outro, a interpretação foi diferente (uma interpretação possível...).
O rio sempre teve destaque na imaginação do autor e se optou pela interpretação metafísica.
O narrador permanece vinculado no conto todo.
As características da partida do pai lembram um suicídio, a canoa pequena um caixão. Um pai planejando sua morte que sai da vida sem explicação. A canoa no rio lembra a um espaço de suspensão, o lugar de culto aos cultos espíritas.

Desenredo

Observa-se no início do conto, o diálogo “do narrador aos seus ouvintes” Indica-nós tradição oral.
O autor descreve todos os personagens e acontecimentos detalhadamente e brinca com as expressões no texto.
Trata-se de uma história de amor onde Jó Joaquim é o protagonista. Ele, é uma figura que representa paciência e tranquilidade (Jô, de Jacó) e o descreve como “quieto, respeitado, bom como cheiro de cerveja.” Um detalhe que chama a atenção é a despreocupação com o nome do personagem feminino, mostrando ser o menos importante. Chamando-se Livíria, Rivília ou Irlívia é uma mulher qualquer com a qual se encontrava às escondidas, pois a mesma era casada.
Brinca com as palavras no relato:
“Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou no amor”, a relação entre o mês de maio e amor carrega informação popular e histórica (maio, mês da Virgem o amor é protegido).
O texto tem trechos que retomam a característica paciente do personagem, “Esperar é reconhecer-se incompleto.”
“O trágico não vem a conta-gotas”. O marido apanha a mulher com um outro, que não é Jô, e mediante revólver, assustou-a e matou-o.
A situação fez o desespero de Jó. Reteve-se de vê-la, enquanto ela prosseguia normalmente. De repente, o marido morre e Jó aproveita a situação e vai ao seu encontro e “nela acreditou, num abrir e não fechar de ouvidos.” Casaram-se.
Quando tudo parecia bem “deu-se à entrada dos demônios.” Jó Joaquim passou de amante a marido e a traído. “De amor não a matou”, diferente do outro que a feriu, Jó apenas a expulsou, o que em “tudo aplaudiu e reprovou o povo.”
Jó Joaquim desejava a felicidade e esta se encontrava com a mulher amada, então “Entregou-se a remir, redimir a mulher (...).” Decidiu descaluniar a mulher, passou a desmentir todos os atos da esposa. “Nunca tivera ela amante!” Para fazer os outros acreditarem, o próprio Jó tratou de convencer-se de sua verdade e produziu efeito.
A própria mulher, sabendo dos fatos, passou a acreditar em sua inocência. “Soube-se nua e crua. Veio sem culpa.”
“Três vezes passa perto da gente a felicidade.” O narrador faz um jogo entre o número de tentativas de Jó em busca da felicidade com o número de vezes que ela aparece e com o nome dela.
Jô transforma a realidade fazendo tudo para ser feliz.