viernes, 10 de diciembre de 2010

Vestido de noiva. Peça de teatro. Nelson Rodrigues

Vestido de Noiva vai aos palcos em 1943, marcando a renovação do teatro brasileiro ao se voltar para a realidade psicológica. A peça causou polêmica na época e ainda hoje é considerada forte em sua linguagem e no tratamento do tema. Ooutra inovação foi a subdivisão do palco que aparece iluminado de três maneiras, representando três planos: o plano da realidade, o plano da alucinação e o plano da memória.
Através da intersecção desses três planos tem-se o conteúdo da peça.
Plano da realidade: é o que dá início à peça, um acidente de carro, repórteres que comunicam o atropelamento de uma mulher. Esta é identificada. Na mesa de cirurgia, Alaíde delira – assim o espectador passa aos planos da memória e da alucinação. Na realidade exterior - a referência ao acidente – mergulha no subterrâneo psicológico da personagem. Por fim, os médicos anunciam a morte da jovem.
Plano da alucinação: Sem a censura moral, todos os desejos de Alaíde se libertam. O casamento sem grandes aventuras e o cotidiano tinham transformado Alaíde ...
Plano da memória: Alaíde concentra o esforço ordenador da memória na reconstituição das cenas do casamento. Um dado verdadeiro que já surgira no plano da alucinação: ela roubara Pedro da irmã, Lúcia.

Misturando num ritmo gradativo as ações dos três planos, a peça encaminha-se para o desfecho no qual Lúcia acaba por casar-se com Pedro. É Alaíde quem entrega o buquê à noiva.
A peça se encerra com apenas uma luz sobre o túmulo de Alaíde.