jueves, 9 de septiembre de 2010

Vidas Secas. Graciliano RAMOS (1938)

Graciliano dedica um capítulo do livro para cada membro da família de retirantes, mas fica claro o coletivo, a família. O pai, a mãe e a cachorra têm nome... os meninos não têm o que dá um sentimento de exclusão... Fabiano, sinhá Vitória e Baleira, o filho mais novo e o mais velho...
Na ordem das personagens não há diferença entre o moleque, a cachorra e os meninos...
Não há uma tentativa de dar-lhes voz aos retirantes em fuga sem rumo certo, a probabilidade de uma mudança em suas vidas era pequena e não alterava significativamente estas vidas secas.
Treze painéis isolados compõem o livro, mas é um conjunto. Alterada a disposição dos textos, permanece a estrutura circular.
O livro se inicia com a caminhada da família, o cansaço, a sede e a fome são muito grandes, encontram se em sérias dificuldades, o filho mais novo não consegue mais andar, Fabiano pensa que o melhor seria que o filho morresse, mas tem sentimento e o fica no colo...
Os personagens estão brutos, mais não são brutos, não. Estão sem condições mínimas de sobrevivência, assim Graciliano denuncia a situação social trágica de regiões atingidas pela escassez de água, pela miséria e fome. Isso não os torna maus... Graciliano pôs seus pensamentos políticos sobre a história.
A linguagem de Fabiano é impotente, primitivo e, seu imaginário se dá em retalhos de sonhos e em desejos de um tempo melhor, tempo do fim das secas. Essas pessoas têm noção de esperança, limitada como suas vidas. O único desejo que sinhá Vitória tinha era o de ter uma cama, um luxo tanto para ela quanto para o marido. Para Fabiano, o sonho era uma vida igual, mas trabalhando de vaqueiro (sem seca), com comida e roupa para mulher e filhos.
Não há consciência neles de que a vida pode ser diferente, seu avô, seu pai, ele... e deixarão o mesmo legado para os filhos. Cada um carrega a linhagem da família...