martes, 7 de diciembre de 2010

Nelson Rodrigues. Sua Vida

Nasceu da cidade do Recife em 1912.
Seu pai era deputado e jornalista do Jornal do Recife, por problemas políticos resolveu se mudar para o Rio de Janeiro.
Uma vizinha tinha lhe proibido aos quatro anos frequentar a sua porque o encontrou aos beijos com sua filha. Nelson registrou em sua memória o cenário da época com as vizinhas fiscalizando, esses seriam seus personagens de sua obra literária.
Aos sete anos, pediu ir à escola e foi matriculado na escola pública onde aprendeu a ler rapidamente. No ano seguinte fez uma redação que causo espanto (o tema era o adultério) mais, não tinha como não ser premiada, mesmo que não pudesse ser lida na classe. A professora inventou um empate e leu a outra composição.
Nesse tempo, Nelson presenciou grandes discussões entre seus pais, causadas por ciúmes e ele passou a ter a leitura como passatempo. Mudavam os autores, mas no fundo era uma coisa só: a morte punindo o sexo ou o sexo punindo a morte.
Ele seguia sua vida, sentindo a ausência do pai, sempre envolvido com a política e o jornalismo. No ano de 1926 foi expulso do Colégio Batista, por rebeldia. Nelson vivia contestando seus professores, em especial dos de Português e História. Foi, então, matriculado no Curso Normal de Preparatórios.
Á medida em que entrava na adolescência foi sendo possuído por uma indolência melancólica, ficando depressivo, suspirando pelos cantos e dizendo: "Eu sou um triste!".
Quando Nelson começou a trabalhar o fez no jornal A Manhã de propriedade de seu pai. Iniciou sua carreira jornalística em 1925, como repórter de polícia. Tinha treze anos e meio. Ali se reuniam colaboradores ilustres e Nelson impressionou os colegas com sua capacidade de dramatizar pequenos acontecimentos. Especializou-se em descrever pactos de morte entre jovens namorados, tão constantes naquela época.
Sempre de namoros foi um frequentador da mulheres da rua.
Começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão pelo futebol.
O assassinato do seu irmão e aos poucos a morte do pai provocaram uma tragédia familiar que afetou toda a sua obra.
Estoura a revolução em 1930, por um erro de avaliação se atacaram aos rebeldes. Os rebeldes com o triunfo saíram as ruas para acertar as contas com os jornais do velho regime. As redações e oficinas de diversos jornais são invadidas e empasteladas. Dentre elas, a do jornal dos Rodrigues, Milton e Mário Filho foram novamente presos, porém logo libertados.
Os irmãos começam a procurar emprego, coisa que para eles não estava nada fácil. Começaram a vender tudo o que tinham para poder sobreviver e, devido ao aluguel sempre atrasado, eram obrigados a mudar de casa a cada três meses. Em 1931, uma porta se abriu para Mário Filho e os outros irmãos penetraram por ela, foi chamado para assumir a página de esportes de O Globo, com ele foram seus irmãos Nelson e Joffre, mais a paga era só para Mário os outros não tiveram pagamento até um ano depois.
O escritor era chamado de "filósofo" pelos colegas de O Globo, tinha um aspecto desleixado, um só terno e não vestia meias por não tê-las.
Sem ter assunto, inventaram algo que seria uma mina de dinheiro anos depois: o concurso das escolas de samba.
Para arranjar mais algum dinheiro, trabalhou como redator de uma distribuidora de filmes, criava textos para os anúncios nos jornais.
Uma tosse seca e uma febre baixa, porém persistente, ao por do sol, foram os avisos dados a Nelson, além de sua magreza, o médico verificou sintomas de tuberculose pulmonar, o grande fantasma do ano de 1934. Vai então, para Campos do Jordão - SP, local recomendado para tratamento. Compensava a ausência de parentes e amigos com cartas, muitas delas para sua professorinha. Como sequela da tuberculose perdeu para sempre o 30 por cento de sua visão.
Propuseram-lhe escrever uma comédia sobre eles mesmos, os doentes. Logo nas primeiras cenas a platéia começou a gargalhar e, com isso.
Pede ao secretário do jornal O Globo que o transfira da página de esportes para a de cultura. Queria escrever sobre ópera.
Se casou em segredo sem consentimento da mãe dela com Elza, com quase 28 anos, foi o batizado, fez a primeira comunhão e estudou o catecismo, com ela teve seus dois filhos Joeffre e Nalsinho.
No meio do ano de 1941 escreveu sua primeira peça, A mulher sem pecado, oferece sua peça para dois grandes artistas de então, eles a recusam. Necessitando de dinheiro, começou a se mexer mas não conseguiu encená-la.
Depois de muita luta, em 1942, A mulher sem pecado foi levada à cena pela "Comédia Brasileira", com direção de Rodolfo Mayer, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.
Em janeiro de 1943 Nelson escreve sua segunda peça teatral: Vestido de Noiva. Elza, sua mulher, fez mais de vinte cópias datilografadas para serem entregues a jornalistas, críticos e amigos. O primeiro a receber foi Manuel Bandeira. Ele gostou. Como outros, escreveu sobre ela e elogiou, mas Nelson não conseguia encená-la. Todos diziam que era uma peça que exigia cenário complexo e teria custo muito alto. Só Thomaz Santa Rosa, um pernambucano ex-funcionário do Banco do Brasil, cantor lírico, desenhista, músico e poeta, achou que era possível. Falou então com um polonês recém-chegado ao Brasil: Zbigniew Ziembinski.
O grande ator e diretor, leu a peça e disse: "Não conheço nada no teatro mundial que se pareça com isso”
Apesar da fama que a peça lhe deu ele continuava sendo mal pago pelo O Globo Juvenil. Teve uma oferta inacreditável e foi para seu novo emprego: diretor de redação das revistas Detetive e de O Guri.
Sempre procurando fazer "bicos" que permitissem um ganho extra Nelson ofereceu-se para escrever um folhetim. Daí nasceu Suzana Flag e Meu destino é pecar, da revista O Cruzeiro.
Cada episódio tomava uma página inteira de O Jornal e tinha uma ilustração de Enrico Bianco. Foram 38 capítulos. Quando a história terminou, o sucesso foi tão grande que foi lançado um livro pelas Edições O Cruzeiro. Isso provocou o começo de outro folhetim, Escravas do amor, cujo sucesso foi também retumbante.
Nos dois últimos meses de 1945 e nos dois primeiros meses de 1946 o grupo "Os Comediantes" encenou Vestido de noiva e “A mulher sem pecado” no Teatro Phoenix, com lotação esgotada. Começa a escrever, então, Álbum de família. Em fevereiro de 1946 o texto é submetido à censura federal. A peça foi proibida de ser encenada. As opiniões se dividiam entre os intelectuais, os críticos e os jornalistas da época, uns a favor da liberação outros contra. Venceram os contra, a peça só foi liberada em 1965 e levada pela primeira vez em julho de 1967.
Escreve profusamente até 1979. A vida de seu filho muda a de Nelson.
Nelsinho foi um dos terroristas mais procurados pelas forças armadas. "Prancha" (seu codinome) vivia na clandestinidade em 1970. Nelson consegue com o presidente da República, Gal. Medici, que ele saísse do país. Nelsinho não aceita o privilégio e foi apanhado em 30 de março de 1972.
Por seu prestígio e contatos com os militares, era muito procurado para ajudar pessoas em apuros com o regime militar que ele tinha apoiado.
De 1969 a 1973 ele teve participação ativa na localização, libertação ou fuga de diversos suspeitos de crimes políticos. Nelson escreve "Anti-Nelson Rodrigues" no final de 1973. Em 1974, a peça fazia bela carreira no teatro do Serviço Nacional do Teatro.
Nelson escreveu sua grande e última peça — "A Serpente" — em meados de 1979, pouco antes de seu filho Nelsinho iniciar greve de fome com treze companheiros, os últimos presos políticos cariocas, com a finalidade de transformar a anistia ampla em anistia total e irrestrita.
Nelson Rodrigues faleceu na manhã do dia 21 de dezembro de 1980 sem poder ver a seu filho Nelsinho.