sábado, 16 de julio de 2011

Budapeste. Apresentação

A livro Budapeste é fragmentado, o fim nos explica o inicio ou ao contrário, portanto não possui uma estrutura linear, parte das recordações do narrador, é em primeira pessoa. O livro possui sete capítulos intercalados entre os espaços do Rio de Janeiro e Budapeste, todas as vezes que o personagem entra em conflito em um espaço, vai para o outro. Todos os personagens são delineados pela ótica do narrador. Não tem definição de temporalidade no livro nem a sociedade que os personagens transitam. Pressupomos que seja século XXI, pelas marcas tecnológicas que o narrador nos mostra (secretaria eletrônica, celular, computador, Internet). A sociedade em que os personagens estão inseridos, é burguesa e capitalista, que é representada pela personagem Vanda com sua ótica superficial do mundo. Constitui-se em mundo dilacerado pelas aparências em que o personagem principal não encontra o seu lugar, ele transita durante todo o livro entre o Rio de Janeiro e Budapeste, vive duas vidas intercaladas por espaços sociais diferentes e ama duas mulheres absolutamente opostas, mas não encontra seu lugar. O personagem José Costa dilacera-se numa solidão anônima, porém seu anonimato é relativo, pois, como ele, existem muitos.



O inicio da leitura nos leva a um romance asfixiante, ao qual o personagem José Costa (ou Zsoze Kosta seu nome em húngaro) é um escritor que vive nas sombras. O personagem José Costa mora no Rio de janeiro, está casado com Vanda, uma apresentadora de telejornal, bonita, superficial que vive dizendo lê tudo em suplementos literários, uma típica representante do consumismo, do imediatismo e desse mundo feito de aparências e espelhos. Possuem um filho Joaquinzinho, ao qual José não sente nada, porém não se sente culpado. Em Budapeste, há Krista, o oposto de Vanda. Durante todo o livro o narrador nos passa a percepção de derrota tanto nas relações pessoais como nas profissionais.
O personagem José Costa age e vê tudo e a todos a partir de sua ótica e seu individualismo, não constrói nada, pois acredita que não há nada para construir, somente recolhe-se à sombra da sua literatura que sempre possui um espaço em branco para outros assinarem.

O primeiro capítulo começa com a frase: ”Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”. São reminiscências do narrador José Costa para explicar como aprendeu a falar húngaro com a professora e namorada Krista. Nesta frase, o narrador começa a grande discussão que percorre todo o livro, porque a linguagem constitui-se em uma personagem, tal sua importância no decorrer do livro. José costa foi parar por acaso em Budapeste e lá começou o fascínio pela língua magiar de Budapeste. O personagem voava de Istambul a Frankfurt com conexão para o Rio, foi oferecido o hotel do aeroporto para pernoitar. Foram avisados dos problemas técnicos responsáveis por aquela escala, foi na verdade uma denuncia anônima de bomba a bordo. Nesse capítulo, o autor afirma que a língua húngara: ”uma única língua do mundo, segundo as más línguas, o diabo respeita”. Não há nesse capítulo, informações adicionais dos personagens, como nomes, profissões ou localização temporal, nota-se uma dualidade que podem ser recordações ou talvez o tempo presente da narrativa.

Tirado de:
http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/732918