sábado, 16 de julio de 2011

Budapeste. Capítulos 5 a 7

 No quinto capítulo, volta ao Rio de Janeiro, é natal.Encontra o filho mais gordo dormindo em sua cama, espera Vanda em vão, depois descobre que estava morando durante a semana em São Paulo, pois a mesma apresentava o jornal do turno da noite. O personagem somente a encontra no final de semana depois do natal, na noite de ano novo, mal se falam e vão a uma festa, ao qual José sente ciúmes de sua mulher e brigam. Ele diz que é autor do livro Ginografo, pois recebe uma copia de presente de Vanda, e a mesma fala que adorou o livro, logo ela que nunca lê nada, pensa José. O personagem sente muita raiva, uma das poucas vezes, que o personagem reage e exterioriza seus sentimentos, depois se sente culpado.Pensa que as palavras poderiam ser rasuradas, riscadas, contudo, as palavras foram ditas, não havia o que fazer.

Álvaro pede muito a José para voltar para agência porque precisam de dinheiro, diz que deveriam fazer mais biografias. Entretanto o personagem não consegue encontrar justificativas para seus antigos sonhos. Existia uma desintegração ou uma incapacidade de dominar sua existência. Pensava em largar em definitivo a agência, os livros, enfim as atividades profissionais. Mas não havia dor do fracasso, somente uma finitude. Queria viver em paz com Vanda e ser um bom pai. José acreditava que escrever o esvaziava, de tanto escrever, reescrever, corrigindo e depurando textos quando chegava em casa não sobravam palavras bonitas para Vanda. Quando pensava em alguma palavra bela, a aguardava para seus escritos. Entretanto essa paz não veio, novamente, depois de uma briga com Vanda pegou seu passaporte e foi para Budapeste.
A partir do quinto capítulo o personagem, em Budapeste, passa a chamar-se Zsoze Kosta. Krista não o aceita mais como namorado, mas possui pena e o aceita em casa para morar num quartinho dos fundos. O personagem descobre que está só, não tem dinheiro, Álvaro bloqueou sua conta bancária. Krista lhe arruma emprego no Clube das Belas Letras, era um trabalho braçal, empurrar móveis, instalar microfones, ajustar o som. O personagem não dominava o idioma húngaro para ter um outro tipo de emprego. Era um clube cheio de intelectuáis. No final do expediente, levava os gravadores para casa para escutar os discursos. Pretendia aprimorar o aprendizado da língua húngara, pois também eram discutidos clássicos da literatura, declamavam poesias. Era aberto ao público para exibições de literatos anônimos, embora o personagem acreditasse que literatura não necessitava de exibições. 

O personagem Zsoze passa a dominar a língua magiar com as traduções dos discursos e Krista volta ajudá-lo.Neste capítulo, adquiriu um húngaro padrão culto, mas com sotaque. Passa a revisar atas do clube e também começa a substituir os termos em que não gosta, mas nada fica em seu nome, as atas são assinadas pelo escrivão do clube, o velho Puskás. Na verdade, mesmo dominando o idioma, o personagem continuava anônimo, tudo que escrevia assinava outro nome. Em húngaro, sabia escrever poesias, no entanto em português nunca dominou a lírica. O personagem começa a escrever poesias para um poeta que se encontra em decadência Kocsis Ferenc que ele havia conhecido no Brasil.

O personagem não consegue autonomia, não se mostra, não importa em que país esteja, a solidão da sua alma torna-se maior que o tempo presente. A realidade sempre lhe foge, esconde-se atrás de alguém, não importa se na forma narrativa ou lírica. Mesmo criando um universo paralelo usando outro nome, dominando o idioma e sendo amando por Krista novamente, as derrotas são inevitáveis. Ele não consegue renunciar totalmente de viver, contudo também não encontra realização em nada, o mundo o cerca e o esmaga. Depois de discussão com Krista, em que desdenha das poesias de Kocsis, dizendo que possui um acento de estrangeiro. O personagem sente ódio, mas não pode dizer que é o autor dos versos, possui medo das palavras de Krista, José sabe o poder das palavras, já sentiu sua força, então decide ir embora.

No sexto capítulo, ”Ao som de um mar”, temos a volta do personagem ao Rio de Janeiro. Não há definição de passagem do tempo no capitulo anterior, mas pressupõe-se que tenha ocorrido um tempo longo pelas marcas que o personagem nos mostra nesse capítulo. Havia um estranhamento com o idioma brasileiro, sentia as palavras, porém o significado não vinha. José possui a sensação de estar em um país com uma maneira de falar que não reconhecia mais. ”Logo reconheci as palavras brasileiras, mas ainda assim era quase um idioma novo que eu ouvia”. Sente-se como um viajante que depois de longa ausência volta ao seu país, tudo que vê o assombra, as pessoas, a maneira como se vestem, as gírias. A agencia Cunha & Costa ao qual trabalhava em sociedade com Álvaro não existe mais, ninguém tem conhecimento dela. Álvaro, agora, trabalha em Brasília como assessor de um deputado federal. As livrarias não lembram do livro Ginografo.

Não tinha dinheiro para pagar a conta do hotel, ficava os dias preso no quarto para não ser cobrado e saia á noite para andar pela cidade. Uma cidade desconhecida e solitária, numas das caminhadas possui a impressão de ver o filho, um jovem adulto, mas não tem certeza, então não fala nada. Isola-se cada vez, nem o telefone atende. Todo se resume a uma inutilidade de buscas, não há nada que fazer. É um mundo perdido e o personagem não sabe para onde ir. Numas das tantas vezes que o telefone toca, resolve atender, um homem pergunta pelo Senhor Zsoze Kosta, diz que é o cônsul da Hungria e o estava procurando para lhe entregar uma passagem aérea para Budapeste cedida pela editora húngara Lantos Lorante &Budai. Também para lhe dar um visto de livre permanência no país, pois havia perdido seu visto quando veio embora. O personagem pensou que os livreiros pressionados pelo sucesso das poesias que fez para o poeta húngaro o queriam de volta para escrever mais poemas.

No sétimo capítulo, o personagem volta a Budapeste, o circulo se fecha, pois o livro inicia em Budapeste. Quando chega ao aeroporto de Budapeste é recepcionado como um grande escritor, escreveu um livro chamado Budapeste, tinha uma capa fruta-cor. Ficou atônito, os refletores ofuscavam-no, não sabia quem era, não escrevera aquele livro, não era famoso. Logo em seguida, vê Pisti, filho de krista, sorridente e a própria Krista grávida com um bebê no carrinho se dizendo assombrada pelo sucesso do livro. José pensava: ”(...) falsificavam meu vocabulário, meus pensamentos e devaneios, um canalha inventou um romance autobiográfico (...)”. Para o personagem, o livro dera cores a um filme que estava em sua mente em preto e branco. Foi festejado no Clube das Belas-Letras como um escritor de sucesso, no entanto, sentia vontade de gritar: esse livro não é meu, não escrevi nada, mas ninguém lhe dava atenção, dava autógrafo, ia a jantares como um autômato. Tudo era estranho, dava palestras com discursos que não eram dele.

Senti-se como sempre perdido num mundo que não lhe pertencia, era como ter uma vida paralela sonhava que a qualquer momento, haveria uma mudança e então tomaria conta da sua vida. 

Tirado de:
http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/732918