martes, 19 de octubre de 2010

Jorge Amado

Jorge Amado nasceu numa fazenda de cacau em Itabuna BA em 10 de agosto de 1912 e murreu na Bahia no dia 6 de agosto de 2001. Em 1945 foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro, o mandato cassado, e ele sofreu fortes pressões políticas. Durante cinco anos, viajou pela Europa e Ásia, voltando ao Brasil em 1952.
Na literatura de Jorge Amado a gente pode descobrir o Brasil do litoral, na primeira época mais político, mas se estende muito mais que este período e aparecerá o Brasil para apresentar no exterior, para poder se “vender” aos visitantes, com belas mulheres mulatas onde surge a fantasia sexual.
Na primeira época é o Brasil das plantações do cacau, com toda sua problemática.
Abundam os temas sociais de cidades (não do sertão) e políticos, a exploração das pessoas nas plantações, as questões dos meninos, os abusos dos donos das plantações e dos coronéis, denúncias políticas sutis. As picardias dos árabes. Não esquece da hipocrisia da igreja católica, do sincretismo religioso também não. A chuva é necessária para a plantação.
Desta época são:
O país do carnaval (1932), Cacau (1933), Suor (1934), Jubiabá (1935), Mar morto (1936), Capitães de areia (1937), Terras do sem fim (1942), São Jorge dos Ilhéus (1944), Seara vermelha (1946) onde fala da seca.

Resumo dos livros que a gente leu:
O pais do carnaval (1931)
Foi o primeiro romance de Jorge Amado (tinha 19 anos). Um livro crítico e contestatário sobre a ética dos intelectuais nas vésperas da revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas. Manifesta a crise e incerteza dos intelectuais da época com aguçada crítica política.
Conta a história de um intelectual filho de fazendeiro do cacau educado em Paris quem chega à Bahia com sua amante francesa Julie. Ela começa um namoro com um trabalhador negro de sua fazenda. Ele o demite e vai embora deixando para trás o Brasil em pleno carnaval rogando pragas ao "país do Carnaval" alucinada pelos ritmos e brilhos.
Um romance rico em diálogos sobre o sentido da vida e a felicidade. A juventude do livro é plena de inquietudes e busca verdades e caminhos. Um retrato da geração.

Cacau (1933)
Foi o primeiro romance dentro do esquema do socialismo. Os olhos estão voltados para as questões sociais, deixando claro a preocupação em denunciar aos laicos empregadores, as ganâncias e as brutalidades dos senhores latifundiários plantadores de cacau que faziam fortuna em território baiano às custas de nordestinos miseráveis que fugiam de seus territórios por diferentes motivos.
Decorre durante a década de trinta com fala de frases curtas característica dessa população.
Relata a vida do filho de pai rico - Chamado de Sergipano por sua origem - protagonista e narrador da história.
História: Ao morrer o pai o tio roubou tudo o que pertencia a ele e a sua mãe. Assim ficaram pobres e ele acabou trabalhando na fábrica do tio onde mais tarde foi demitido por não se sujeitar aos mandos. Pobre e desempregado, ele se embarcou para o sul da Bahia para trabalhar nas lavouras de Cacau, conheceu a seus novos amigos e relatou suas vidas de salários fracos e mulheres fáceis.
Nas festas de São João o dono veio para a fazenda com a família e ele foi escolhido para ser o acompanhante de sua filha, entre eles nasceu uma história e casou com ela. Depois ele partiu para o Rio de Janeiro para lutar pelos ideais de classe. Há também uma história com o irmão dela que gosta de seduzir a todas as moças e logo as abandona...

Capitães da Areia.
Os Capitães da Areia, um grupo de meninos da rua que aterrorizavam o Salvador, ninguém se relacionava com eles, só o faziam uma mãe-de-santo e um Padre.
Tem reportagens onde explicam que eram menores abandonados e marginalizados, se fala também do reformatório onde os meninos eram tratados com muita crueldade.
Contando a história de alguns meninos se conhecem seus sofrimentos, suas habilidades e sua projeção no futuro. Órfãos, desamparados, expostos à doenças lhes espera uma vida de malandros ou se prostituir. Eles têm os mesmos sonhos de qualquer menino mais ficaram de frente à realidade que impossibilita a concreção dos sonhos. Até o amor é complicado para eles.
Têm destaque as preocupações sociais, a apresentação das autoridades e do clero sempre como opressores (o Padre é uma exceção mais antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males.
Os problemas dos garotos os transformarem em personagens únicos e corajosos.

Seara Vermelha
A Caatinga
Fala da seca, do deserto com espinhos, do sofrimento resignado das pessoas. Descreve aos camponeses, homens jogados fora da terra pelo latifúndio e pela seca, expulsos de suas casas, sem trabalho nas fazendas, que descem em busca de trabalho em São Paulo acham de frente os que regressam em piores condições pois perderam até a esperança, desiludidos. Mostra como os cadáveres vão ficando no caminho... Na caatinga habitam os cangaceiros, homens que roubam, são assassinos (às vezes de aluguer). São bandidos solidários, eles não acumulam riquezas as dividem. O nome deles deriva do cangaço, uma planta que sobrevive à seca.
O juazeiro tão valorado como na literatura do Graciliano Ramos.

Trailer do filme "O caminho das nuvens"

Romão, o pai, tem um sonho: um emprego que lhe pague mil reais por mês. Rose, a mãe, empresta ao marido analfabeto, porém sonhador, uma confiança total e apaixonada. Antônio, o filho mais velho, busca seu lugar no mundo enquanto descobre os segredos e dificuldades da adolescência em plena estrada. Os outros filhos do casal, com idades entre seis meses e dez anos, se deslocam sem muito entenderem o porquê, mas sem nunca perderem a alegria de viver. A família sai pela estrada em busca de uma vida melhor. Enfrentam fome, calor, cansaço e violência.