sábado, 6 de noviembre de 2010

Desenredo

Observa-se no início do conto, o diálogo “do narrador aos seus ouvintes” Indica-nós tradição oral.
O autor descreve todos os personagens e acontecimentos detalhadamente e brinca com as expressões no texto.
Trata-se de uma história de amor onde Jó Joaquim é o protagonista. Ele, é uma figura que representa paciência e tranquilidade (Jô, de Jacó) e o descreve como “quieto, respeitado, bom como cheiro de cerveja.” Um detalhe que chama a atenção é a despreocupação com o nome do personagem feminino, mostrando ser o menos importante. Chamando-se Livíria, Rivília ou Irlívia é uma mulher qualquer com a qual se encontrava às escondidas, pois a mesma era casada.
Brinca com as palavras no relato:
“Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou no amor”, a relação entre o mês de maio e amor carrega informação popular e histórica (maio, mês da Virgem o amor é protegido).
O texto tem trechos que retomam a característica paciente do personagem, “Esperar é reconhecer-se incompleto.”
“O trágico não vem a conta-gotas”. O marido apanha a mulher com um outro, que não é Jô, e mediante revólver, assustou-a e matou-o.
A situação fez o desespero de Jó. Reteve-se de vê-la, enquanto ela prosseguia normalmente. De repente, o marido morre e Jó aproveita a situação e vai ao seu encontro e “nela acreditou, num abrir e não fechar de ouvidos.” Casaram-se.
Quando tudo parecia bem “deu-se à entrada dos demônios.” Jó Joaquim passou de amante a marido e a traído. “De amor não a matou”, diferente do outro que a feriu, Jó apenas a expulsou, o que em “tudo aplaudiu e reprovou o povo.”
Jó Joaquim desejava a felicidade e esta se encontrava com a mulher amada, então “Entregou-se a remir, redimir a mulher (...).” Decidiu descaluniar a mulher, passou a desmentir todos os atos da esposa. “Nunca tivera ela amante!” Para fazer os outros acreditarem, o próprio Jó tratou de convencer-se de sua verdade e produziu efeito.
A própria mulher, sabendo dos fatos, passou a acreditar em sua inocência. “Soube-se nua e crua. Veio sem culpa.”
“Três vezes passa perto da gente a felicidade.” O narrador faz um jogo entre o número de tentativas de Jó em busca da felicidade com o número de vezes que ela aparece e com o nome dela.
Jô transforma a realidade fazendo tudo para ser feliz.